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quarta-feira, 19 de abril de 2017

POLISSEMIA MALUCA


sábado, 13 de agosto de 2016

Miniconto "Meu gato estranho"

"Meu gato, Daemon, jamais prestou a menor atenção em mim, sempre me ignorava e me tratava como se eu fosse invisível. Porém, um dia voltei para casa e Daemon não parava de olhar na minha direção, tentei contar isso para minha mulher, mas ela agiu como se eu nem existisse, incapaz de me ver e me ouvir."

(Texto: Pedro Paiva)
(Foto: desconhecido)

Universo Particular


"Uma partícula sozinha é uma particular".

(Foto: desconhecido)

Miniconto "O amigo de Flora"

"Flora era uma menina solitária, que gostava de brincar sozinha no jardim enquanto eu a observava da janela da cozinha, naquela noite, quando a convidei para o jantar ela queria permissão para um amigo poder entrar em casa e brincar, eu pedi que fosse chamá-lo, mas Flora voltou em alguns segundos acompanhada somente da sua sombra, desde então tenho tido pesadelos estranhos e acordo frequentemente com Flora, sonâmbula, parada ao lado da minha cama segurando uma faca."

(Texto: Pedro Paiva)
(Foto: desconhecido)

Miados de agosto


Miniconto "O último andar"


"Mudei-me recentemente para este apartamento e continuamente não consigo dormir com o barulho de passos no teto, gritos e choro de criança no andar de cima. Resolvi falar com o síndico sobre o problema, mas ele alegou que eu morava no último andar do prédio."

(Texto: Pedro Paiva)
(Foto: desconhecido)

Miniconto "Espelhos"

"Não gosto de espelhos, minha mãe sempre alimentou em mim a ideia de que do outro lado do espelho existisse um universo paralelo e maquiavélico observando e reproduzindo as nossas vidas, representando o pior que existe dentro de nós. Por esta razão, toda vez que estivemos de luto por algum ente querido, ela cobriu a face do espelho com um manto preto. Uma superstição. Anos depois, quando minha mãe faleceu, fiquei tão triste que me esqueci de repetir o ritual. Após o seu enterro, ao chegar em casa sozinho, deparei-me com o espelho na parede oposta à porta de entrada, o reflexo da minha imagem esboçava um sádico sorriso."

(Texto: Pedro Paiva)
(Imagem: desconhecido)


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Minha musa é uma gata


Para onde foi minha inspiração?
Fugiu de mim desabalada.
Não disse adeus nem explicação
Se ainda volta, não disse nada.

Minha musa é preguiçosa
Gosta de ficar na rede
Estirada e orgulhosa
Ergue-se para saciar a sede
E retorna langorosa
Arrastando-se pela parede.

Não gosta de trabalhar
De limpar ou de servir
Gosta de estar e ficar
Mas quando peço para ajudar
Tem sempre desculpa para sair.

Faz tudo tão devagar
Sem pressa de terminar
E se o tempo é curto
Prefere nem começar
Por que, acima de tudo
Quando se perde, não sabe voltar.

Minha inspiração é uma gata
Branca, esguia e faminta
Arranha minha mente com a pata
Transmite uma ideia distinta
Às vezes é parte de mim, é inata

N’outras, é como uma espécie extinta.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Debaixo da cachoeira

Debaixo da cachoeira

Todo dia de domingo
Minha menina faceira
Vem e pede com jeitinho
Pra nós subir a ladeira
Ela quer tomar comigo
Um banho de cachoeira

Se eu digo: não vai dar
Ela me faz cara feia
Diz que vai achar um cabra
Que só faça o que ela queira
Ela só pensa naquilo
No banho de cachoeira

Vou levar minha princesa
Pra quebrar na swingueira
E depois fazer amor
Encostado na mangueira
Mas ela só diz que ama
Debaixo da cachoeira

Só que agora essa nega
Vai deixar de choradeira
Vou juntar as nossas traia
E vamos subir a ladeira
Vou erguer nosso barraco
Na terra das cachoeiras

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Briga de casal


Quando o caldo entornava
Era um pega-pra-capar
E começava a se odiar
Quem a pouco se amava.

Minha mãe lá de dentro gritava
Me respeite, seu canalha!
Se meu Deus de mim não valha,
Te mostro os quatro cantos da casa.

Meu pai assim respondia
Cale a boca, sua vadia!
Bicho brabo, se amansa,
Ou te mostro como se dança.

Mas depois da tempestade
Vinha sempre a calmaria
E não havia inimizade
Que o amor não curaria.