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quarta-feira, 30 de maio de 2012

O Lápis e a Borracha


(um apólogo para crianças)

D. Borrachuda era uma borracha que se achava superior a todos. Mas gostava mesmo era de implicar com o S. Lapisário, um lápis de grafite já bem gasto e apontado. Pois tudo o que o pobrezinho escrevia ela vinha atrás e apagava. 

Como era impiedosa a borracha e a sua mania de desfazer as coisas.
D. Borrachuda, certo dia disse a S. Lapisário:

– Não importa o que você escreva, S. Lapisário, eu sempre poderei apagar. Não adianta insistir. 

E S. Lapisário ficava muito aborrecido com as atitudes da borracha, sempre destruindo o seu trabalho. Porém, um belo dia, ele respondeu a ela dessa forma:

– Você pode até apagar o que eu faço, mas nunca será capaz de construir nada. Porque não passa de uma invejosa. 

A borracha, ouvindo aquilo, ficou, por sua vez, muito triste, pois ela sabia que o lápis tinha razão. Ela nunca poderia construir nada, apenas destruir o que os outros faziam. 

Passado um tempo, a borracha muito chateada com o lápis resolveu desaparecer. Estava muito desacreditada da vida, achava-se inútil, um ser sem importância.  

O lápis, por outro lado, estava muito feliz, pois agora poderia fazer o que quisesse e ela não iria mais apagar. E assim, pôs-se a escrever, desenhar, rabiscar tudo o que lhe passava pela mente.  

Um dia, S. Lapisário dedicava-se a sua mais brilhante obra, realmente algo muito grande e maravilhoso. No entanto, muito empolgado com a nova criação, o lápis acabou escorregando nos papéis e cometeu um terrível erro. A sua obra seria perfeita, se não fosse aquele erro, lamentou-se S. Lapisário.  

O lápis sentia-se muito envergonhado, pois ele andava se gabando para todos do seu novo trabalho e agora só o que queria era escondê-lo. Quando o apontador ou o compasso passavam por ele zombavam do lápis, questionando-lhe sobre a tal criação que não saia nunca. E assim o lápis tornou-se infeliz novamente. 

Até que, superando seu orgulho, S. Lapisário resolveu mandar um recado à D. Borrachuda, pedindo-lhe desculpas e solicitando sua presença, urgentemente. D. Borrachuda não hesitou. Quando soube que o lápis precisava de sua ajuda, tratou de aparecer e resolveu logo o problema. Sentir-se útil novamente, para ela, era uma honra, pois acreditou que ninguém jamais precisaria dela. 

O resultado foi que o trabalho do lápis, concertado o erro, ficou belíssimo e todos admiraram sua perfeição. Era um belo desenho de todos os seus amigos, o apontador, o compasso, a régua e até mesmo a borracha. Não faltava ninguém. E logo abaixo, na assinatura havia o nome de dois autores, S. Lapisário e D. Borrachuda, que pela primeira vez haviam trabalhado em parceria.

2 comentários:

  1. A moral da história é que não se deve querer ser melhor do que os outros pois podemos ser melhores juntos.

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